NOTA DA DIREÇÃO DO STIU-MA À CATEGORIA DA CAEMA
Trabalhadores e trabalhadoras da CAEMA,
A mensagem que vem circulando tenta deslocar o debate central — a defesa do saneamento público e dos direitos da categoria — para um enredo personalista, baseado em acusações genéricas e sem provas.
O STIU-MA não aceitará que a luta coletiva seja reduzida a disputa de protagonismo.
1) O que está em jogo não é “quem aparece mais”, e sim como se vence uma luta
Privatizações e concessões no saneamento não dependem da “vontade do sindicato”. Elas resultam de atos do Poder Executivo, aprovações legislativas, modelagens técnicas, decisões de agências reguladoras, contratos, financiamentos e medidas administrativas.
Isso não diminui o papel do sindicato; ao contrário, define a natureza do enfrentamento: mobilização, pressão política, atuação jurídica, incidência pública e unidade da categoria.
Tentar transformar derrotas impostas por governos e maiorias parlamentares em “incompetência sindical” é desonesto.
2) A incoerência do acusador é pública
Quem, em diversos momentos, sustentou que não havia risco de privatização da CAEMA — classificando esse alerta como “invenção” do sindicato — agora tenta se apresentar como “único defensor contra a privatização”.
A categoria não precisa de retórica para gerar visibilidade pessoal. Precisa de organização, informação séria e ação concreta.
3) É falsa a afirmação de que a direção ‘ataca mais do que defende’
A direção do STIU-MA atua de forma permanente na defesa do saneamento público e da CAEMA por meio de:
-mobilizações e assembleias nos locais de trabalho para informar e organizar a base;
-incidência política junto a parlamentares e gestores para barrar projetos e iniciativas lesivas;
-articulação com entidades, frentes do campo urbanitário e movimentos sociais;
-atuação técnica e jurídica, com medidas administrativas e judiciais sempre que há ameaça concreta.
Se alguém afirma que o sindicato “não fez” ou “não faz”, que apresente datas, documentos, ofícios, requerimentos, ações e propostas objetivas — e não insinuações.
4) Comparações manipuladas não ajudam a categoria
Comparar realidades e processos distintos — Paço do Lumiar, São José de Ribamar, Timon, Equatorial, Eletronorte — com marcos legais e decisões tomadas fora do alcance do sindicato é um recurso retórico para produzir culpa e desânimo.
O que a categoria precisa saber é simples: o sindicato enfrenta e continuará enfrentando qualquer iniciativa que fragilize o saneamento público, inclusive na CAEMA, utilizando os instrumentos reais de luta.
5) Saneamento público não se defende com culto à personalidade
A pergunta “existe alguém que defenda mais do que Marcos Silva?” não busca debate, mas impor um culto a uma pessoa.
Saneamento público se defende com coletivo organizado, não com “salvador da pátria”.
O STIU-MA não reconhece nem reconhecerá “interlocutor único” sobre o tema. O conhecimento técnico é bem-vindo, mas não pode ser usado como carteira de exclusividade política nem como autorização para atacar a entidade sindical.
Quem quiser contribuir, que contribua de forma concreta: apresente propostas por escrito, participe dos fóruns, ajude a mobilizar e some forças.
O que não aceitaremos é usar a categoria como plateia para autopromoção.
6) Sobre acusações de ‘assédio político’ e ‘ataques na ausência’
Acusar “assédio” sem indicar fatos e provas é grave.
O STIU-MA não faz emboscadas, não teme o debate e não foge de divergências. O que não admitimos é transformar assembleias — instrumentos legítimos da base — em teatros de vitimização.
Se alguém se sente ofendido por uma fala específica, existe um caminho correto: indicar qual fala, quando, por quem e em que contexto, para que o debate seja objetivo e responsável.
7) O recado à categoria é unidade e foco
A direção do STIU-MA está — e continuará — preparada para enfrentar qualquer ameaça real à CAEMA e ao saneamento público, com organização da base, transparência, estratégia e firmeza.
Também com responsabilidade: não alimentaremos narrativas que dividem a categoria e favorecem quem quer desmantelar o serviço público.
Reafirmamos:
Saneamento é direito, não mercadoria.
É serviço público, sob controle social, com universalização.
Trabalhadores organizados são a linha de defesa mais forte.
8) Contexto histórico e coerência política
Privatização não é “falha de sindicato”; é projeto de governo.
As grandes ondas de privatização no Brasil foram impulsionadas por projetos governamentais, com destaque para:
-o ciclo intensificado no governo FHC, por meio do Programa Nacional de Desestatização (BNDES);
-a privatização da Eletrobras, em 2022, no governo Bolsonaro.
No Maranhão, medidas de “reforma” e debates sobre privatização também atravessaram governos estaduais, incluindo o primeiro mandato de Roseana Sarney (1995–1998).
É nesse ponto que surge uma contradição política que a categoria tem o direito de observar: quem tenta medir a luta sindical por decisões tomadas por governos e maiorias políticas também busca projeção em espaços de comunicação ligados a grupos políticos que dizia combater.
É público, por exemplo, que mantém coluna em portal vinculado ao Grupo Mirante, pertencente à família Sarney.
Quando alguém muda de discurso conforme a conveniência, não é o sindicato que deve explicações — é quem tenta posar de “único defensor”, enquanto ajusta sua atuação aos ventos do poder.
O STIU-MA seguirá fazendo o que sempre fez: defender a CAEMA pública, o saneamento como direito e os direitos da categoria, sem culto a indivíduos e sem permitir que a luta coletiva seja substituída por marketing pessoal.
Direção do STIU-MA
Em defesa da CAEMA, do saneamento público e dos direitos da categoria.
